Evolução cronológica da Avaliação do Trabalho

04 abril 2014, sexta-feira . Avaliação do Desempenho

Gupa e Lincoln (1989, in Instituto para a Qualidade na Formação, 2006) avançam com a identificação e caracterização de quatro gerações de avaliação.

Medição

A primeira, não distinguindo entre avaliação e medida, focaliza as atenções na elaboração de instrumentos ou testes para verificação dos resultados e atribuição de uma nota. Traduzia-se em abordagens de natureza quantitativa, nas quais o papel do avaliador era, então, eminentemente técnico. Era o tempo da “notação” profissional…que ainda persiste entre nós, concretamente em diversas avaliações do sector público.

Descrição

Se as abordagens anteriores se centravam essencialmente nos resultados finais da actividade desenvolvida (enfoque no trabalhador), outros autores passam a preocupar-se com a parte descritiva da actividade levada a cabo. Assim, tendo como ponto de partida os objectivos a atingir, visavam agora compreender/descrever as causas do sucesso ou as dificuldades sentidas no cumprimento desses objectivos pré-estabelecidos (contraposição entre objectivos pré-estabelecidos e objectivos realizados). Neste contexto, o avaliador preocupa-se, sobretudo, em descrever padrões e critérios de avaliação a aplicar.

Julgamento

A terceira geração veio questionar os testes padronizados, bem como o facto de se entender a avaliação como sinónimo de medida. Esta geração de avaliadores focaliza antes a respectiva atenção na emissão de juízos de valor sobre os objectos de avaliação. O avaliador passa a assumir, nesta fase, um papel de juiz, acumulando, contudo, as valências anteriormente referidas.

Negociação

Neste contexto a avaliação é encarada como um processo interactivo, negociado, que se fundamenta num paradigma construtivista. As metodologias avaliativas centram-se na participação e envolvimento dos vários actores, exercendo o avaliador, neste caso, um papel de facilitador no processo de identificação de estratégias avaliativas a aplicar. 

Presente e futuro

Mais ainda, de acordo com os referidos autores, estas últimas abordagens têm vindo a desenvolver-se sem prejuízo da aplicação de metodologias avaliativas fundadas em pressupostos de natureza positivista (segundo os quais o sujeito que avalia e o sujeito/objecto avaliado são duas realidades independentes).

No entanto, deve referir-se que seja qual for o modelo dominante, o estágio de evolução em que se encontre, vise processos ou resultados, verse sobre indivíduos ou grupos, a avaliação tende a vulgarizar-se e “humanizar-se”, ganhando cada vez mais preponderância no contexto laboral, fruto da necessidade de apurar valias. Não ganha ainda importância pelo que pode gerar, mais do que gerir, pois detém-na já de per se, no plano instrumental e técnico, procurando responder à vontade e à necessidade de avaliar desempenhos.

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